Tratamento Cirúrgico da Espondilodiscite Tuberculosa: Experiência de um Serviço de Ortopedia
DOI:
https://doi.org/10.20344/amp.207Resumo
Introdução: A espondilodiscite de etiologia tuberculosa é responsável por mais de 40% do universo destas infeções. Enquanto a quimioterapia tuberculostática se mantém como gold-standard da terapêutica desta patologia, o tratamento cirúrgico tem lugar em situações muito específicas. Neste trabalho apresentam-se os resultados de 33 doentes com espondilodiscite tuberculosa operados no nosso serviço durante os últimos 15 anos.
Objetivo: Avaliar retrospetivamente doentes com diagnóstico de espondilodiscite tuberculosa operados num período de 15 anos
(1996 a 2011); avaliar opções cirúrgicas tomadas e respetivos resultados relativamente à resolução da infeção, controlo da deformidade e evolução da lesão neurológica.
Material e Métodos: Análise retrospetiva dos processos clínicos e avaliações imagiológicas de doentes com diagnóstico de espondilodiscite tuberculosa operados entre 1996 e 2011. Foram identificados 33 doentes com idade média de 46,7 anos; 17 doentes apresentavam infeção torácica, 11 lombar e cinco toraco-lombar. O abcesso paravertebral foi identificado em 26 dos casos estudados, existindo extensão intracanalar em 16 doentes. Nove dos doentes avaliados apresentavam lesão neurológica. A abordagem cirúrgica por via anterior foi utilizada em sete casos, a via posterior em 11 e a abordagem combinada foi a preferida em 15 ocasiões. A quimioterapia antibacilar foi mantida em média por 14 meses, com seguimento médio de 24 meses.
Resultados: Verificámos cura da infeção em todos os doentes, sendo documentados critérios de fusão óssea, em média, 10,6 meses pós-cirurgia. A abordagem anterior isolada não permitiu obter correção da deformidade inicial, enquanto a via posterior permitiu uma correção média de 12,7º e a via combinada uma correção média de 8,7º. Cinco dos doentes com lesão neurológica melhoraram 2 a 3 níveis na escala ASIA durante o seguimento pós-operatório. Como complicações referem-se 2 casos de infeção superficial da ferida operatória.
Discussão e Conclusão: A terapêutica com antibacilares constitui a terapêutica de primeira linha no tratamento da espondilodiscite tuberculosa, existindo indicações específicas para realização de cirurgia. A intervenção cirúrgica, quando indicada, permite corrigir a deformidade assim como a fusão óssea, sendo preferencialmente realizada por via combinada ou posterior. A taxa de complicações foi pouco significativa apesar da introdução de material de osteossíntese.
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