Práticas e Perspetivas Parentais no Brincar das Crianças em Portugal: Um Inquérito Transversal
DOI:
https://doi.org/10.20344/amp.24268Palavras-chave:
Brincadeiras e Brinquedos, Desenvolvimento da Criança, Lazer, Pais, Portugal, Relações Pais-FilhoResumo
Introdução: Brincar é reconhecido como um direito fundamental e um componente essencial do desenvolvimento saudável. Contudo, os estilos de vida modernos e o uso de meios digitais transformaram os padrões de brincadeira das crianças. O objetivo deste estudo foi descrever as perceções, práticas e limitações das famílias em Portugal relativamente ao brincar e ao brincar entre pais e filhos.
Métodos: Conduziu-se um estudo analítico transversal através de um questionário online distribuído a pais de crianças entre os três e os 10 anos em todo o território nacional. O inquérito abordou dados demográficos, atividades estruturadas, utilização de meios digitais, características gerais do brincar, brincar com os pais e opiniões parentais sobre o brincar. A análise estatística foi desenvolvida com recurso ao SPSS® v.28.0.
Resultados: Foram obtidas 4637 respostas válidas. A idade mediana das crianças foi de seis anos, 53% do sexo masculino. Setenta e cinco por cento das crianças participavam em atividades extracurriculares, e a televisão foi o meio digital mais frequentemente utilizado (69%). A duração mais comum de brincar entre pais e filhos durante a semana foi inferior a uma hora (46%) e entre uma a três horas ao fim de semana (43%). Quase metade (46%) referiu brincar enquanto realizava tarefas domésticas. As principais barreiras ao brincar com os filhos foram as tarefas domésticas (87%) e as limitações relacionadas com o trabalho (58%). O tempo de brincar entre pais e filhos durante a semana e fins de semana foi inferior para as crianças com irmãos. Além disso, também se verificou uma duração reduzida do tempo de brincar durante a semana em crianças com atividades extracurriculares. Ser do sexo masculino, viver em ambiente rural e habilitações parentais inferiores associaram-se a mais tempo a brincar no exterior. Os pais atribuíram grande importância ao brincar: 100% concordaram que promove o desenvolvimento, 99% consideraram-no essencial para a socialização e 93% discordaram de que o brincar na escola pudesse substituir o brincar em casa.
Conclusão: Os pais em Portugal reconhecem o papel vital do brincar, mas enfrentam barreiras de tempo e ambientais que limitam as oportunidades de brincadeira livre e de qualidade. Promover momentos de brincadeira com os pais sem distrações e facilitar ambientes seguros para brincar ao ar livre devem ser prioridades nas estratégias pediátricas e de saúde pública.
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