Saúde Mental em Adolescentes com Antecedentes Migratórios: Um Estudo Descritivo
DOI:
https://doi.org/10.20344/amp.24480Palavras-chave:
Aculturação, Adolescência, Migrantes, Perturbações Mentais, Portugal, Saúde MentalResumo
A migração pode estar associada a desafios psicossociais com impacto na saúde mental durante a adolescência. Este estudo retrospetivo descreveu os internamentos psiquiátricos de adolescentes com antecedentes migratórios num serviço de pedopsiquiatria entre dezembro de 2016 e junho de 2024. Foram identificados 44 adolescentes, correspondendo a 51 episódios de internamento. A maioria era do sexo feminino (66%), com idade média de 15,34 ± 1,47 anos, e 91% eram migrantes de primeira geração. O motivo mais frequente de internamento foi a ideação suicida (31,38%). A maioria dos internamentos teve origem no serviço de urgência (84,32%), com um tempo médio de internamento de 18,47 ± 10,62 dias. À data da alta, os diagnósticos mais frequentes eram os de perturbações depressivas (36,36%), perturbações relacionadas com trauma e fatores de stress (22,73%) e perturbações do espetro da esquizofrenia e outras perturbações psicóticas (13,64%). A maioria dos adolescentes não havia tido contacto prévio com serviços de saúde mental (63,6%). Estes resultados destacam a relevância clínica desta população e a necessidade de estratégias de intervenção precoce e de articulação entre serviços de saúde, escola e comunidade.
Downloads
Referências
Lievrouw S, Myin-Germeys I, Achterhof R. The mental health of European adolescents with vs. without a migration background (2013–2024): a systematic review. Eur Child Adolesc Psychiatry. 2025;34:1529-43. DOI: https://doi.org/10.1007/s00787-024-02589-2
Fazel M, Reed RV, Panter-Brick C, Stein A. Mental health of displaced and refugee children resettled in high-income countries: risk and protective factors. Lancet. 2012;379:266-82. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(11)60051-2
Blackmore R, Gray KM, Boyle JA, Fazel M, Ranasinha S, Fitzgerald G, et al. The prevalence of mental illness in child and adolescent refugees and asylum seekers: a systematic review and meta-analysis. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2020;59:705-14. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jaac.2019.11.011
Viner RM, Ozer EM, Denny S, Marmot M, Resnick M, Fatusi A, et al. Adolescence and the social determinants of health. Lancet. 2012;379:1641-52. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(12)60149-4
Selten JP, van der Ven E, Termorshuizen F. Migration and psychosis: a meta-analysis of incidence studies. Psychol Med. 2020;50:303-13. DOI: https://doi.org/10.1017/S0033291719000035
Scharpf F, Kaltenbach E, Nickerson A, Hecker T. A systematic review of socio-ecological factors contributing to risk and protection of the mental health of refugee children and adolescents. Clin Psychol Rev. 2021;83:101930. DOI: https://doi.org/10.1016/j.cpr.2020.101930
Sleijpen M, Boeije HR, Kleber RJ, Mooren T. Between power and powerlessness: a meta-ethnography of sources of resilience in young refugees. J Child Fam Stud. 2016;25:2663-76. DOI: https://doi.org/10.1080/13557858.2015.1044946
Berry JW. Acculturation stress and adaptation in immigrants. Appl Psychol. 2006;46:5-34. DOI: https://doi.org/10.1080/026999497378467
Saunders NR, Gill PJ, Holder L, Vigod S, Kurdyak P, Gandhi S, et al. Use of emergency departments as a first point of contact for mental health care by immigrant youth in Canada: a population-based study. CMAJ. 2018;190:E1183-91. DOI: https://doi.org/10.1503/cmaj.180277
Gubi E, Polek E, Kourkoutas E. Obstacles and facilitators to accessing child and adolescent mental health services among migrant families: a systematic review. Child Adolesc Psychiatry Ment Health. 2021;15:28.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Acta Médica Portuguesa

Este trabalho encontra-se publicado com a Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0.
Todos os artigos publicados na AMP são de acesso aberto e cumprem os requisitos das agências de financiamento ou instituições académicas. Relativamente à utilização por terceiros a AMP rege-se pelos termos da licença Creative Commons ‘Atribuição – Uso Não-Comercial – (CC-BY-NC)’.
É da responsabilidade do autor obter permissão para reproduzir figuras, tabelas, etc., de outras publicações. Após a aceitação de um artigo, os autores serão convidados a preencher uma “Declaração de Responsabilidade Autoral e Partilha de Direitos de Autor “(http://www.actamedicaportuguesa.com/info/AMP-NormasPublicacao.pdf) e a “Declaração de Potenciais Conflitos de Interesse” (http://www.icmje.org/conflicts-of-interest) do ICMJE. Será enviado um e-mail ao autor correspondente, confirmando a receção do manuscrito.
Após a publicação, os autores ficam autorizados a disponibilizar os seus artigos em repositórios das suas instituições de origem, desde que mencionem sempre onde foram publicados e de acordo com a licença Creative Commons

