Testes Viscoelásticos na Avaliação de Alterações da Hemostase na Infeção por SARS-COV-2

Autores

  • Anabela Rodrigues Serviço de Imuno-hemoterapia. Hospital Santa Maria. Centro Hospitalar de Lisboa Norte. Lisboa. https://orcid.org/0000-0001-9981-030X
  • Teresa Seara Sevivas Serviço de Sangue e Medicina Transfusional. Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Coimbra. https://orcid.org/0000-0001-9770-1425
  • Carla Leal Pereira Serviço de Imuno-hemoterapia. Hospital Santa Maria. Centro Hospitalar de Lisboa Norte. Lisboa. https://orcid.org/0000-0002-1947-819X
  • André Caiado Serviço de Imunohemoterapia. Hospital de São José. Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central. Lisboa. https://orcid.org/0000-0002-9734-5800
  • António Robalo Nunes Serviço de Medicina Transfusional. Hospital das Forças Armadas. Pólo de Lisboa. Lisboa. https://orcid.org/0000-0001-9384-7080

DOI:

https://doi.org/10.20344/amp.14784

Palavras-chave:

COVID-19, Infecções por Coronavírus, Perturbações da Coagulação Sanguínea, SARS-CoV-2, Testes de Coagulação Sanguínea, Trombose

Resumo

A coagulopatia associada à COVID-19 é uma disfunção associada à infeção SARS-CoV-2 grave, caraterizada por aumento significativo
do fibrinogénio, D-dímeros e Proteína C reativa, e por valores normais/muito pouco alterados do tempo de protrombina, tempo de
tromboplastina parcial ativado, e número de plaquetas. A hipercoagulabilidade e a hipofibrinólise coexistem e são detetadas por testes viscoelásticos. Quando associadas à imobilização e aos fatores de risco intrínsecos do doente (idade, obesidade, comorbilidades, drogas) potenciam eventos tromboembólicos, apesar da tromboprofilaxia. Os pulmões são o órgão inicialmente e mais gravemente afetado. Até à data, a maioria dos doentes apresentou hipercoagulabilidade nos testes viscoelásticos, não detetada pelos testes de coagulação de rotina, e foi reportada uma elevada taxa de eventos trombóticos, sugerindo que esta deveria ser considerada uma das causas de deterioração clínica, não só em cuidados intensivos. Na coagulopatia associada à COVID-19 avançada, o número de plaquetas e o fibrinogénio podem diminuir significativamente, dependendo da gravidade clínica da infeção, assemelhando-se o quadro a uma coagulopatia de consumo. Nesta fase pode haver hemorragia, especialmente se o doente estiver sob extracorporeal membrane oxygenation. Os testes viscoelásticos afiguram-se muito úteis para avaliar a hipercoagulabilidade e a hipofibrinólise em doentes críticos SARS-CoV-2 com coagulopatia associada à COVID-19, parecendo também promissores para a gestão da anticoagulação. No entanto, é necessária mais investigação para determinar se testes viscoelásticos alterados, individualmente ou quando combinadoscom outros resultados clínicos/laboratoriais, podem identificar os doentes com risco trombótico acrescido. Estão a emergir rapidamente ensaios clínicos para avaliação da hipercoagulabilidade por testes viscoelásticos e da necessidade de personalização da anticoagulação em doentes SARS-CoV-2.

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Biografia Autor

Anabela Rodrigues, Serviço de Imuno-hemoterapia. Hospital Santa Maria. Centro Hospitalar de Lisboa Norte. Lisboa.

Teresa Sofia Seara Sevivas

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Publicado

2021-01-04

Como Citar

1.
Rodrigues A, Seara Sevivas T, Leal Pereira C, Caiado A, Robalo Nunes A. Testes Viscoelásticos na Avaliação de Alterações da Hemostase na Infeção por SARS-COV-2. Acta Med Port [Internet]. 4 de Janeiro de 2021 [citado 27 de Junho de 2026];34(1):44-55. Disponível em: https://actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/14784

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